quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

E...de quando em quando, surge o poema...

Arte de Lucia Coghetto*

 É do silêncio poroso do anjo mudo, da fala incandescente do seu olhar que,

de quando em quando, surge o poema.


Al Berto - In Incêndio*


Alquimia do Verbo - A historia das minhas loucuras...

ARTE DE CLAUDE VELING*
 “Para mim. A história das minhas loucuras.

Há muito me gabava de possuir todas as paisagens possíveis, e julgava irrisórias as celebridades da pintura e da poesia moderna.

Gostava das pinturas idiotas, em portas, decorações, telas circenses, placas, iluminuras populares; a literatura fora de moda, o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia, romances de nossos antepassados, contos de fadas, pequenos livros infantis, velhas óperas, estribilhos ingênuos, ritmos ingênuos.

Sonhava com as cruzadas, viagens de descobertas de que não existem relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião esmagadas, revoluções de costumes, deslocamentos de raças e continentes: acreditava em todas as magias.

Inventava a cor das vogais! - A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde. Regulava a forma e o movimento de cada consoante, e , com ritmos instintivos, me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível, um dia ou outro, a todos os sentidos. Era comigo traduzí-los. Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.”

- in Delírios II, Alquimia do Verbo, de Arthur Rimbaud (1854-1891) - tradução por Paulo Hecker Filho.




Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa...


Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência. Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não imaginei, eu existo

 *Clarice Lispector*

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Este é meu sentido do sagrado.....


                Meu sentido de sagrado, na medida em que tenho algum, está atado à

            esperança de que algum dia, em algum milênio futuro, meus descendentes

      remotos viverão em uma civilização global em que o amor será adequadamente

                                                                                     a única lei".

     Richard Rorty, foi professor de Filosofia e da Literatura Compana Universidade de Stanford...



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

iMensaMente nos deitamos um no outro....

ARTE DE DARIA ENDRESSEN

 iMensaMente nos deitamos um no outro

e não mais nascemos para a mão escura

que tapa o sol e afoga a lua

estamos como se tudo estivesse conosco

e conosco estivessem os nomes que primeiro se deram:

"flor-rio-azul-estrela-terra"



Vasco Gato*



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Vem....

Entrega-me toda tua alma, me deixa levar pelo desejo,

                                 pela loucura do i(real), extravasa todas as tuas loucuras,

                                                   deixa-as que venha para nós...

                                    Em cada espaço de mim, existe uma alma que te deseja...


                                                                   *Brih*

                                                                 

Nunca se pode saber de antemão do que sao capazes as pessoas...


                         
Nunca se pode saber de antemão de que são capazes as pessoas, é preciso esperar, dar tempo ao tempo, o tempo é que manda, o tempo é o parceiro que está a jogar do outro lado da mesa e tem na mão todas as cartas do baralho, a nós compete-nos inventar os encartes com a vida...

*José Saramago*
                                                                 

Todas essas coisas me fazem feliz.....

Escultura de Kate Macdowell*

 De todos os objetos, os que mais amo são os usados. As vasilhas de cobre com as bordas amassadas, os garfos, as facas cujos cabos de madeira foram tocadas por muitas mãos. Estas são as formas que me parecem mais nobres. Estes ladrilhos de velhas casas gastos por terem sido pisados tantas vezes, estes ladrilhos por onde cresce a grama, me parecem objetos felizes. Impregnados do uso de muitos, muito transformados, foram aperfeiçoando suas formas e se fizeram preciosos porque têm sido apreciados muitas vezes. Agradam-me, inclusive, os fragmentos de esculturas com os braços cortados. Viveram também por mim. Caíram porque foram transladados. Derrubaram-nas, talvez, porque estavam muito altas. As construções quase em ruína parecem todavia projeto sem acabar, grandiosos, suas belas medidas podem já imaginar-se, mas ainda necessitam de nossa compreensão. E além do mais já serviram, inclusive já foram superadas. Todas essas coisas me fazem feliz.

Bertold Brechet*

São poemas de vitalidade, apesar do adeus...



"Esses poemas, mais que quaisquer outros, estão cheios de noites e

madrugadas adentro. Cheios de uma dor tão elevada que é capaz de nos fazer

rir, apesar de tudo. Cheios de dias na vida de uma luz. São poemas de

vitalidade, apesar do a d e u s...

Alice Ruiz*
 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

SOMOS FEITOS DE......


Somos feitos de pequenos compartimentos, onde ficam armazenados amores, desejos, recordações....enfim, tudo que de alguma forma fazem parte desta nossa vida em movimento....
 um cheiro...um perfume...uma música e tudo vem a tona...
 
                                                            
                                                                      BRIH*
                                                          

AH...SE PUDESSE...ENCHERIA TEU MUNDO DE FLORES.....

Eu encheria o teu mundo de flores. Eu navegaria contigo por todos os mares. E conheceria contigo todos os sabores. Só para colocar em teus lindos olhos o brilho de todas as estrelas do Infinito. Se eu pudesse ter esse teu sorriso sempre por perto. Se eu pudesse ter você. 
                                                            Sempre comigo...

                                                                 Augusto Branco*