sexta-feira, 28 de novembro de 2014

E, as palavras ecoam..


"E as palavras ecoam... Como fantasmas em sua mente! Milhões de conotações e significados! Palavras ditas, palavras jogadas ao vento, palavras engolidas, digeridas... Uma multidão de letras que, como carrascos, mutilam cada centímetro da sua sanidade. Você pensa sobre elas, você as relê, você tenta abandoná-las no papel, você até sonha com elas. Elas estão em todos os cantos de instantes. Elas devoram sua rotina e não lhe deixam dormir. Não lhe permitem comer, nem beber. Embaçam o seu olhar e desequilibram seus passos. Elas imprimem novas linhas em suas mãos. Afastam você da realidade. Brincam com o seu destino. Sufocam cada fragmento de liberdade que você imaginava possuir. Infiltram-se em cada fibra do seu corpo. Misturam-se às células do seu sangue. Tomam proporções de calamidade e consomem cada pedaço da sua alma. Deixam-lhe abatido, frágil, vulnerável... E com requintes de crueldade, lhe roubam a vida!"

Holle Carone*

erotismo..



"O lugar mais erótico de um corpo não é o ponto em que o vestuário se entreabre? Na perversão (que é o regime do prazer textual) não há "zonas erógenas" (expressão aliás bastante importuna); é a intermitência, como muito bem o disse a psicanálise, que é erótica: a da pele que cintila entre duas peças (as calças e a camisola), entre duas margens (a camisa entreaberta, a luva e a manga); é essa própria cintilação que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento-desaparecimento.

Roland Barthes - In O Prazer do Texto (1973)

☆Trabalho fotográfico de Jan Saudek☆