quarta-feira, 18 de abril de 2012


O ser mais delicado, mais sensível, não se compara ao que sou. Sou de papel de seda, asa de borboleta, casa de caracol, corpo de libélula. Não tenho composição definida. Sou etérea, sou completamente mortal."

- Sabrina Davanzo -
 

Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

 
                                                      *Charles Bukowski*

                                                                   

domingo, 4 de março de 2012

Nunca se deve pretender ser correto e sensato e levar uma vida linear e exata. A vida é muito imprevisível."


...DESDE então me incomodam muito estas duas palavras:correto e sensato. São falsas e pedantes. Servem para ocultar e mentir. Tudo é incorreto e insensato. Toda historia, toda a vida, todas as épocas foram incorretas e insensatas. Nós mesmos. Cada um de nós, por natureza, é incorreto e insensato, só que nos reprimimos para voltar para o cercado como boas ovelhas, e aplicamos rédeas e mordaças em nós mesmos.

Levei essa vida dupla durante muito tempo:correto e sensato, no trabalho. Incorreto e insensato no cortiço com Miriam. Ainda não me sentia livre, mas já estava no rumo. A verdade é que não me interessa nada que seja linear, reto. Não me interessa coisa nenhuma que progrida limpidamente de um ponto a outro, e que se saiba perfeitamente que tal linha começou aqui e terminou ali!
                                                                        Não.

Nunca se deve pretender ser correto e sensato e levar uma vida linear e exata. A vida é muito imprevisível."

                                                              *Pedro Juan Gutiérrez*

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

E...de quando em quando, surge o poema...

Arte de Lucia Coghetto*

 É do silêncio poroso do anjo mudo, da fala incandescente do seu olhar que,

de quando em quando, surge o poema.


Al Berto - In Incêndio*


Alquimia do Verbo - A historia das minhas loucuras...

ARTE DE CLAUDE VELING*
 “Para mim. A história das minhas loucuras.

Há muito me gabava de possuir todas as paisagens possíveis, e julgava irrisórias as celebridades da pintura e da poesia moderna.

Gostava das pinturas idiotas, em portas, decorações, telas circenses, placas, iluminuras populares; a literatura fora de moda, o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia, romances de nossos antepassados, contos de fadas, pequenos livros infantis, velhas óperas, estribilhos ingênuos, ritmos ingênuos.

Sonhava com as cruzadas, viagens de descobertas de que não existem relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião esmagadas, revoluções de costumes, deslocamentos de raças e continentes: acreditava em todas as magias.

Inventava a cor das vogais! - A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde. Regulava a forma e o movimento de cada consoante, e , com ritmos instintivos, me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível, um dia ou outro, a todos os sentidos. Era comigo traduzí-los. Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.”

- in Delírios II, Alquimia do Verbo, de Arthur Rimbaud (1854-1891) - tradução por Paulo Hecker Filho.




Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa...


Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência. Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não imaginei, eu existo

 *Clarice Lispector*

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Este é meu sentido do sagrado.....


                Meu sentido de sagrado, na medida em que tenho algum, está atado à

            esperança de que algum dia, em algum milênio futuro, meus descendentes

      remotos viverão em uma civilização global em que o amor será adequadamente

                                                                                     a única lei".

     Richard Rorty, foi professor de Filosofia e da Literatura Compana Universidade de Stanford...